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Sobreviver com os cantos: discussões sobre “mistura”, “variação” e transformação na estética Tikmũ’ũn

Rosângela Pereira de Tugny (Universidade Federal do Sul da Bahia, Brasil)

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Resumen

Os povos tikmũ’ũn-maxakali formam uma população de cerca de dois mil indivíduos que vivem no estado de Minas Gerais, na fronteira nordeste com o estado da Bahia, no Brasil. Estão entre os raros povos sobreviventes das regiões de extintas matas atlânticas que chegaram aos dias de hoje com seus sistemas linguísticos, sonoro-musicais e ritualísticos plenamente operantes. Possuem um repertório poético, mítico e musical extenso, rico e variado, fazendo uso de uma paleta de léxicos oriundos de diferentes línguas que foram faladas nas regiões que se estendem entre Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo. Tais corpora são renovados a cada dia, no cotidiano ou em situações festivas, pelos encontros que os Tikmũ’ũn realizam com seus yãmĩyxop. São estes os povos que mais mobilizam o interesse dos Tikmũ’ũn e seus esforços na busca de alimentos, promoção de festas, caçadas, e, sobretudo, de cantar noites inteiras ininterruptamente. Ainda que cantem com os yãmĩyxop, os Tikmũ’ũn possuem já cinco séculos de contato com os povos invasores das regiões de seus antigos percursos. Aprenderam a cantar com os missionários capuchinhos e evangélicos, e hoje dominam com excelência musical os repertórios dos regionais como arrocha, forró, pisadinha e mesmo as canções românticas. Os cantos e danças regionais parecem entretanto pertencer a outro domínio de atividade para os Tikmũ’ũn não alterando em nada as formas musicais que entretêm com seus yãmĩyxop. Bem distante de pensá-los como um povo que preza pela conservação de um legado cultural, como marca de sua identidade, este estudo pretende discutir como estes yãmĩyxop e a produção acústica que eles proporcionam são o que os mantêm vivos enquanto povos, postados numa constante abertura às diferentes formas de alteridade e num constante devir-tikmũ’ũn.

Palabras clave: Povos tikmũ’ũn_maxakali, Memória musical, Música ameríndia.

 

Abstract

The Tikmũ'ũn-Maxakalí peoples form a population of about two thousand individuals living in the state of Minas Gerais, in the northeastern border with the state of Bahia, Brazil. In the regions of extinct Atlantic forests, they are among the few surviving peoples in which linguistic, sound- musical and fully functioning ritual systems have endured. They have rich and varied poetics, mythical and musical repertoire, making use of a lexical palette from different languages that were spoken in the regions extending between Minas Gerais, Bahia and Espirito Santo. Such corpora are renewed every day, in daily life or in festive situations, in the meetings that the Tikmũ'ũn perform with their yãmĩyxop. These are the people who mobilize more interest from Tikmũ'ũn and their efforts in the search for food, promotion parties, hunting, and above all singing all night without interruption. Although they sing with yãmĩyxop, the Tikmũ'ũn already have five centuries of contact with people invading the regions of their former routes. They learned to sing with the Capuchins and evangelical missionaries, and now dominate musical excellence with a repertoire of local arrocha, forró, pisadinha and even romantic songs. The songs and regional dances however seem to belong to another domain of activity for the Tikmũ'ũn, not changing anything in the musical forms they entertain with their yãmĩyxop. Far from thinking of them as peoples that value the preservation of cultural heritage as a mark of their identity, this study aims to discuss how these yãmĩyxop and the acoustic production that they provide are what keep them alive as peoples in a constant openness to different forms of otherness and in a constant becoming- tikmũ'ũn.

Keywords: Tikmũ'ũn-Maxakali People, Musical Culture and Memory, Amerindian Music.


Fecha de recepción: octubre 2015
Fecha de aceptación: mayo 2016
Fecha de publicación: Diciembre 2016

Received: October 2015
Acceptance Date: May 2016
Release Date: December 2016 



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